Rio Acarí, como não se apaixonar pelo Rio dos Pinimas
- Eduardo Pura Pesca Monteiro
- 18 de mai.
- 7 min de leitura

O relato de hoje é daqueles que eu gosto de escrever com calma, porque existem pescarias que não ficam guardadas apenas na galeria do celular. Elas ficam na cabeça da gente, voltam em forma de lembrança no meio do dia e fazem a gente pensar: preciso voltar naquele rio.
E foi exatamente isso que senti no Rio Acarí. Mesmo depois de tantos anos rodando a Amazônia, conhecendo operações, rios, pousadas, guias e diferentes comportamentos de peixe, ainda existem lugares que conseguem me surpreender. O Acarí é um desses destinos. Ele tem beleza, tem estrutura, tem peixe, tem logística bem resolvida e tem uma característica que, para mim, coloca esse rio em uma prateleira muito especial: ali o Tucunaré Pinima é o grande protagonista.
O peixe símbolo dessa pescaria é o Pinima e quem olha para esse peixe entende rápido por que a gente chama o Acarí de Rio dos Pinimas.

Essa viagem teve aquele clima que eu valorizo demais nas operações da 80up: grupo animado, expectativa alta, muita resenha e a responsabilidade de entregar uma experiência que fosse além do peixe. Porque pescaria boa, para mim, não é só quantidade de captura. É o conjunto. É a chegada, a estrutura, o guia, a leitura do rio, o almoço, a amizade, o descanso, a foto, a soltura e aquela sensação de que todo mundo viveu uma semana especial.
O Acarí já começa diferente pela logística. A operação da Pousada Acarí, apresentada pela 80up como um destino de pesca na Amazônia e ligada ao Programa Pura Pesca, tem uma proposta muito interessante: o pescador sai de Manaus em voo fretado e chega praticamente dentro da operação, sem precisar encarar longos deslocamentos de barco antes de começar a pescaria. Isso, para quem já fez muitas viagens amazônicas, faz uma diferença enorme. Você economiza energia, ganha tempo e entra no clima da pescaria muito mais rápido.

A cena da chegada já diz muito sobre o destino. Avião baixando no meio da floresta, pista de terra, vegetação ao redor, equipe esperando. É Amazônia de verdade, mas com uma logística pensada para o pescador chegar bem e aproveitar a semana.
No Rio Acarí a operação conta com um grande trecho de rio com mais de 100 km de rio para os clientes da pousada, além de posto avançado para ampliar o horizonte de pesca. Isso é um ponto muito importante. Em pescaria amazônica, pressão de pesca muda tudo. Ter uma área extensa, controlada e trabalhada por guias que conhecem o rio dá ao pescador uma chance muito maior de encontrar peixe ativo, estruturas menos batidas e situações que realmente fazem a diferença.

O visual do Acarí é daqueles que já fazem a pescaria valer a viagem. Água limpa dos lagos, espelhada em muitos trechos, margens fechadas, galhadas, troncos submersos, entradas de lago, ressacas e áreas que exigem leitura. Em alguns pontos, a pescaria fica com aquele gosto de exploração sempre com guia olhando nos pontos, barco entrando devagar, estrutura passando rente, pescador atento e a certeza de que o peixe pode estar exatamente ali, escondido embaixo de uma sombra ou encostado em uma madeira.
E quando o Pinima aparece, meus amigos, é pancada. O Pinima do Acarí é um peixe que impressiona pela cor, mas principalmente pela força. Eu costumo dizer que o Pinima é um dos tucunarés mais violentos na tomada da isca. Ele ataca com raiva, acompanha, erra, volta, empurra água, bate de novo e muitas vezes transforma um arremesso comum em uma cena que fica marcada para sempre.
Outra coisa que eu gosto de mensaionar sempre é que o rio Acarí é um destino “Zero repiquete, com possibilidade de pescarias com mais de 30 peixes por dia. E esse tipo de frase não nasce por acaso, quando o Acarí encaixa, ele mostra produtividade, mostra peixe bonito e mostra aquela ação que todo pescador de isca artificial procura. Houve momentos de muitos peixes por dia, tucunarés na casa dos 60 e 70 cm e exemplares com porte para fazer qualquer pescador parar, respirar e agradecer.

A operação também ajuda muito. Os botes são de alumínio, preparados para a região, com motor de popa, motor elétrico, coletes, caixa térmica, viveiro, alicate de contenção, régua e apoio para o dia de pesca.Pode parecer detalhe para quem olha de fora, mas quem pesca vários dias seguidos sabe que barco bom, guia bom e operação organizada mudam completamente a experiência. O pescador se preocupa menos com problema e se concentra mais no que realmente importa: pescar bem.

Na prática, essa pescaria no Acarí pediu mais estratégia. Não foi simplesmente, sair batendo margem de qualquer jeito, tiveram horas de provocar na superfície, outras horas de trabalhar hélice, de reduzir a velocidade, e de procurar peixe em estrutura, hora de mudar completamente a apresentação da isca. E é aí que entra um ponto que considero fundamental nessa pescaria: a importância da isca soft.

A isca soft, principalmente em montagem com shad, anzol forte e lastro bem ajustado, é uma ferramenta que todo pescador deveria levar para a Amazônia. Em condição perfeita, com peixe ativo e rio estabilizado, a superfície pode dar show. Hélice e zara fazem ataques cinematográficos, levantam peixe grande e deixam a pescaria visual. Mas a Amazônia nem sempre entrega o cenário ideal. Às vezes vem um repiquete, ou rio mais cheio o rio dá uma mexida, a água sobe um pouco, o peixe espalha, entra no mato ou simplesmente fica mais desconfiado.
Nessas horas, insistir apenas na superfície pode fazer o pescador perder tempo precioso. A soft entra justamente para resolver esse tipo de situação. Ela permite trabalhar mais devagar, passar perto da estrutura, descer um pouco mais na coluna d’água e apresentar uma presa fácil para o tucunaré que não quer subir. O movimento do shad, quando bem trabalhado, tem uma naturalidade muito grande. Ele vibra, balança a cauda, passa rente à galhada e muitas vezes provoca aquele peixe que estava acompanhando sem decidir atacar.
No Acarí, uma montagem que apareceu muito bem foi o Amazon Shad Monster 3X em cores mais claras, usado com anzol forte, lastro na haste e essência, exatamente para dar uma apresentação mais técnica quando o peixe exigia adaptação . Eu gosto desse tipo de recurso porque ele mostra uma verdade da pesca esportiva: quem se adapta pesca mais. O pescador que chega achando que vai resolver tudo só na hélice pode se frustrar em dias de repiquete. Já o pescador que lê o rio, muda a isca, muda a velocidade e trabalha a soft com paciência aumenta muito as chances de tirar peixe bom.

E não é apenas questão de pegar mais peixe. É questão de entender o comportamento do tucunaré. Quando o rio mexe, o peixe muda. Às vezes ele sai da ponta da estrutura e encosta mais dentro. Às vezes deixa de atacar por explosão e passa a atacar por oportunidade. Às vezes acompanha uma isca rápida, mas só come quando a apresentação fica lenta, vulnerável e natural. É nesse momento que a soft vira diferença entre voltar para a pousada dizendo “o peixe não quis” ou voltar com uma boa história para contar.
O equipamento também precisa acompanhar essa proposta. Usei conjuntos Evox e Next com vara de 25 lb, multifilamento de 40 lb Evox e leader Cronw de 50 lb, uma configuração equilibrada para trabalhar iscas artificiais e ainda ter força para segurar um Pinima bruto quando ele corre para galhada ou estrutura submersa. Porque no Acarí, quando o peixe entra, ele não pede licença. Ele bate, vira de lado e tenta ganhar o mato. Se o pescador vacilar, o rio cobra.

Um dos momentos mais especiais dessa pescaria foi justamente ver a qualidade dos Pinimas. A coloração desses peixes é absurda. Amarelo vivo, nadadeiras alaranjadas, manchas fortes, olho vermelho e aquele corpo largo, saudável, que mostra que o rio tem alimento e equilíbrio. É o tipo de tucunaré que faz o pescador olhar duas vezes antes de soltar.
E aqui eu faço questão de reforçar uma coisa que sempre falo: esse peixe vale muito mais vivo do que morto. O tucunaré vivo movimenta turismo, gera emprego, sustenta guia, pousada, comunidade, agência e toda uma cadeia que depende da pesca esportiva bem feita. Quando a gente solta um peixe desses, a gente não está apenas devolvendo um troféu para o rio. A gente está garantindo que outro pescador, em outra semana, possa viver a mesma emoção.

Outro ponto que merece destaque é a estrutura da pousada. A proposta é muito boa porque une Amazônia de verdade com conforto suficiente para o pescador descansar bem. A página do destino informa quartos duplos tipo suíte, camas confortáveis, ar-condicionado, banheiro com água quente, sala de TV, bar, Wi-Fi moderno nas áreas comuns e lavanderia gratuita.[7] Isso pesa muito em uma semana de pescaria.

Quem pesca forte sabe: depois de um dia inteiro no sol, arremessando hélice, trabalhando isca, entrando em lago, brigando com peixe e tomando chuva ou calor amazônico, chegar na pousada, tomar um banho bom, comer bem, revisar equipamento e dormir no ar-condicionado faz diferença. No outro dia, o pescador acorda mais inteiro. E pescador descansado pesca melhor.
O Acarí também tem um ambiente muito rico. Embora o Tucunaré Pinima seja o protagonista, o destino mostra uma cadeia alimentar forte, com presença e relatos de outras espécies como aruanã, pirarucu, pirarara, jundiá, cachara e caparari.Isso reforça a sensação de um rio vivo, preservado e cheio de possibilidades. Para mim, destino bom é assim: a gente vai por causa de uma espécie, mas volta encantado pelo conjunto.
E como toda grande pescaria, o peixe é só uma parte da história. Tem a resenha no fim do dia, o amigo que perdeu um peixe grande e vai contar essa história pelo resto da vida, o outro que bateu recorde pessoal, a foto em frente à pousada, o guia que acerta o ponto, o avião chegando, a expectativa do primeiro dia e aquele silêncio bonito do rio de manhã cedo.
Por isso, quando alguém me pergunta o que eu achei do Rio Acarí, eu respondo sem pensar muito: é um destino que tem assinatura própria. Ele não é apenas mais uma pescaria amazônica. Ele é um destino para quem quer viver o Pinima com intensidade, dentro de uma operação organizada, com área exclusiva, logística prática e estrutura pensada para receber grupos de pescadores.
É uma operação que precisa ser planejada com cuidado, principalmente porque na Amazônia escolher a semana certa faz muita diferença. Nível de rio, repiquete, água estabilizada, peixe chocando, pressão de pesca e comportamento do tucunaré são fatores que mudam completamente o resultado.
É exatamente aí que a 80up entra. Nosso trabalho não é apenas vender pacote. É ajudar o pescador a escolher melhor, entender o destino, preparar o material certo, alinhar expectativa e aumentar as chances de uma semana realmente especial. Porque quem vive Amazônia sabe: o detalhe separa uma pescaria comum de uma pescaria inesquecível.
No fim das contas, o Rio Acarí me deixou aquela sensação boa de missão cumprida, mas também de vontade de voltar. Um rio bonito, exclusivo, cheio de vida, com Pinimas fortes, estrutura bem montada e aquele tempero amazônico que mexe com a gente. Faço o convite também para assitir o programa gravado la, que foi exibido na tela da Fish TV
Porque algumas pescarias a gente faz pelo peixe.
Outras, a gente faz pela história que vai contar depois.
E o Rio Acarí entrega as duas coisas.
Bora pescar.

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Edu, que texto gostoso de ler. No meio dos meus emais de trabalho, em pleno horário de expediente, me dei o luxo de parar e dedicar a leitura deste texto que chegou aqui despretensioso na minha caixa de entrada. Diga de passagem, muito bem escrito. Parabéns! Obrigado por trazer a informação e me proporcionar esse momento de relax e extremo prazer. Vou conhecer esse rio qualquer dia. Abraço.
Conbhecioem Rio Acari a vários anos atrás em expedição da Pesca Aventura e fomos muito feliz pela quantidade de peixes !! Parabéns pela reportagem !! Abraço